"Às vezes eu me pego assim, sem motivos pra escrever e eu odeio isso.
Odeio também minha mania de ficar perdido em meio à tanto pensamento, vagueando nas palavras como um satélite orbitando um planeta qualquer: Passageiro, distante e invisível, mas em órbita.
Sabe, eu me sinto assim, por mais que eu esteja no mais perdido e frio breu, eu sinto que esse meu vaguear está me levando à algum lugar, mesmo sem ver eu prossigo. Com alguém do lado ou não.
Eu não entendo, não entendo mesmo.
Não entendo minha tara por um destilado, meu nariz que sangra sem motivo, os sintomas que meu corpo apresenta de doenças que não existem, minha saúde fraca e constantes dores e doenças… Não entendo o vazio que me dá na alma toda vez que o dia termina e a noite começa a engolir a luz e a vida do sol.
Não entendo porque eu ainda continuo aqui esperando que as coisas mudem, o quanto eu me sinto múltiplo dentro de mim mesmo, onde eu erro sabendo onde seria o acerto.
Sabe, o não saber abre-me espaço para as descobertas. Uma casa é erguida e sustentada pelas suas paredes, mas ninguém mora na parede, vivemos é no vão entre elas. No espaço vazio entre elas é que são postos os móveis, as pessoas e os sentimentos que invadem nossa cabeça atoa.
Assim que me sinto, um completo vazio, mas um vazio esperançoso, sabendo que sou espaço para novos móveis dessa vida chata.
"